O que pode acontecer com a economia caso o Irã feche o Estreito de Ormuz?
- Mega Fato
- 23 de jun.
- 2 min de leitura
Ponto na costa iraniana é fundamental para escoamento de petróleo e gás natural do Oriente Médio

Diante da escalada do conflito no Oriente Médio, o preço do barril de petróleo brent oscilou nesta segunda-feira (23), com avanço forte nas primeiras negociações, seguido pelo recuo ao longo do dia. Ao fim da sessão, a commodity perdeu mais de 7%.
A oscilação do preço reflete o grau de incerteza do mercado com a escalada das tensões no Oriente Médio, sobretudo com o fechamento do Estreito de Ormuz, responsável por 20% do fluxo de todo o petróleo comercializado globalmente.
“No entanto, ao longo do dia, a gente observou um recuo significativo dos ganhos, até que o petróleo passou a operar em território negativo. Isso se deu por conta de um maior ceticismo dos investidores em relação à capacidade real do Irã de promover um fechamento do Estreito”, diz Bruno Cordeiro, analista de Inteligência de Mercado da StoneX.
O Parlamento do Irã aprovou no domingo (22) o fechamento do Estreito de Ormuz, após o presidente norte-americano Donald Trump declarar que concluiu um "ataque muito bem-sucedido" contra as bases nucleares iranianas. A proposta de fechar o canal ainda precisa passar pelo Conselho Supremo de Segurança Nacional para entrar em vigor.
O especialista atribui o ceticismo dos investidores à incapacidade militar do Irã de promover um fechamento do Estreito de Ormuz e ao entendimento de que a medida compromete a própria economia iraniana.
“Até o momento, os investidores acreditam que o Irã não consiga promover uma movimentação desse tipo, militarmente falando", diz.
Além do petróleo, o Estreito de Ormuz é vital para o transporte de gás natural liquefeito (GNL), especialmente do Catar, segundo maior exportador global.
“Os fluxos seguem relativamente normalizados e por isso que a gente observa a queda hoje. O mercado agora espera, é claro, qual que vai ser a resposta por parte do Irã, como que o Irã vai se movimentar diante do envolvimento direto norte-americano", afirma Cordeiro.
Além do fechamento do Estreito de Ormuz, os investidores também avaliam o cenário de interrupção do fornecimento do petróleo iraniano — o Irã exporta cerca de 2 milhões de barris por dia — e a estratégia das empresas de navegação, se vão evitar ou não a rota, diz Frederico Nobre, gestor de investimentos da Warren Brasil, em entrevista ao CNN Money.
“Ainda não é um cenário de cauda [expressão utilizada para situações extremas e pouco prováveis, mas com alto impacto, que podem afetar o mercado de petróleo], que seria o brent passando de US$ 90 e, por isso, o petróleo não está disparando no pregão de hoje”, aponta.
O mercado de seguros também deve sentir os impactos da escalada das tensões, aponta Frederico Nobre, com aumento do custo para embarcações que atravessam o trecho.
"Por mais que não haja neste momento um fechamento formal do canal por parte do Irã, ninguém quer passar por ali. Só isso já aumenta o prêmio de risco de uma maneira geral”.







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